sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Hydra (Toto)

Este álbum é espetacular! Rock de primeiríssima linha, com o swing do falescido Jeff Porcaro na bateria, os solos lancinantes de Steve Lukather e tantos vocais bons e diferentes de 2/3 dos integrantes da banda. O álbum, acredite ou não, tem um toque progressivo, principalmente na faixa que o abre e lhe dá nome. Este disco é tão bom e diferente do resto do trabalho da banda que acho que é por isso que não vendeu muito bem nos EUA...

Minhas preferidas são...TODAS! Mas para destacar as diferenças vou citar: Hydra, com seu toque sombrio e progressivo que se reflete na capa do álbum, a intensa All Us Boys, cujo refrão dá vontade de cantar aos berros, Mamma, tão sentida que dá até pra chamar de blues apesar do swing e da harmonia completamente distantes do estilo e a poética A Secret Love que parece trilha sonora de um sonho, com direito a imagens enevoadas e cenas surrealistas.

Se você gosta, mesmo que um pouquinho só, de rock, esqueça tudo de pop que conhece desta banda e OUÇA ESTE ÁLBUM!

Thriller (Michael Jackson)

Preconceitos à parte esse álbum é verdadeiramente um clássico e vendeu que nem água no deserto.Tão clássico que foi relançado numa edição comemorativa de seus 20 anos (que já passaram de 25...). Esta edição vem com a capa original (foto da direita) coberta por uma outra alternativa (a da esquerda, claro...).

São muitos hits num álbum só, e minhas favoritas misturam muito de minha memória afetiva. Para tentar se imparcial, vou ressaltar apenas Thriller (aqueles efeitos sonoros, os acordes tensos da introdução e a brilhante participação de Vincent Price no final - aquela gargalhada macabra virou um ícone dos anos 80), Beat It (com a participação de Eddie Van Halen num dos melhores solos de guitarra que já ouvi na vida) e Human Nature que, com música de Steve Porcaro e 2/3 do Toto tocando, é praticamente uma música do Toto com participação de Michael Jackson. Isso fica claro pelas harmonias e o arranjo de teclado da introdução e final da música...

Toto (Toto)

Este é o primeiro disco da banda e o terceiro que conheci e adquiri. Não é tão bom quanto o 2º (Hydra) e o 4º (Toto IV) mas ainda vale muito a pena ouví-lo (não sei se posso falar o mesmo dos mais recentes...)

A instrumental e emocionante Child's Anthem, composta em homenagem ao 1º ano internacional da criança, abre muito bem o álbum. Minhas outras favoritas (entre várias boas canções) são: Girl Goodbye, Hold the Line e Angela.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Música para milhões (diversos)

Este é um dos discos preferidos de minha mãe e foi transcrito para servir de presente no seu 71º aniversário. Sua faixa preferida é, sem sombra de dúvidas, a da abertura: o Côro dos Escravos Hebreus, da ópera Nabuco, de Giuseppe Verdi. No disco ela é cantada em italiano mas minha mãe sempre a acompanha com uma letra me português.

Como o nome diz, esse é um disco para milhões, por isso é cheio de grandes sucessos do cancioneiro erudito mundial, entre elas Für Elise de Beethoven, A Truta de Schumann e a Valsa das Flores, de Tchaikovsky.

Como já disse antes, não gosto muito de discos de coletânea, principalmente se forem de artistas variados. Ouvi-o apenas para checar se a transcrição havia ficado boa.

The Visitors (ABBA)

Este foi o último álbum de inéditas lançado pelo grupo em 1981 e o 1º que adquiri, no mesmo ano.

O album abre com a faixa título, num clima meio sinistro, meio misterioso. Este suspense, o sugestivo título de The Visitors (os visitantes) e mesmo a capa do álbum, com os 4 membros do grupo num quarto sombrio cheio de pinturas neo-clássicas, sempre me fez pensar que os tais visitantes eram fantasmas ou qualquer tipo de assombração. Na verdade, a letra fala de dissidentes políticos da antiga URSS prestes a serem descobertos ("These walls have witness all the anguish of humiliation / And seen the hope of freedom glow in shining faces" - Estas paredes testemunharam toda a angústia da humilhação e viram a esperança da liberdade brilhar em rostos iluminados...).

Em Soldiers, inspirados pela crescente guerra fria da época e a recente invasão do Afeganistão pelos soviéticos, eles cantam "Soldiers write the songs that soldiers sing / The songs that you and I don't sing / Let's not look the other way / Taking a chance / 'Cause if the bugler starts to play / We too must dance (Soldados escrevem canções Estes soldados cantam as canções que você e eu não cantamos. Não nos arrisquemos virando o rosto para isto, pois, se o clarim começar a tocar, nós também vamos dançar...)

Além destas letras politizadas, outros temas pessoais entram na argamassa deste álbum, além da hilária estória do varredor de uma estação de trem que procura por alguém especial nos classificados sentimentais até encontrar um anúncio que diz "Se você sonha com uma garota para você então ligue para nós e leve duas pelo preço de uma" (Two for the Price of One). Todo empolgado, ele marca um encontro com as pretendentes para descobrir, mais tarde, que a 2ª que ele levaria de brinde era a sogra...

Outra coisa legal deste álbum é que 1/3 dele é recheado com bônus; gravações posteriores a este álbum que não foram suficientes para fechar um trabalho novo antes da banda encerrar as atividades. À minha lista de preferidas, acrescentaria também algumas destas faixas extras: Cassandra (sobre a lendária profetisa Troiana em quem, por causa de uma maldição, ninguém acreditava), Under Attack e You Owe Me One. Esta última, bem rara, não consta das edições mais comuns, mas encontrei-a como bônus numa versão deste álbum, juntei-a com as faixas de outra versão que tinha e coloquei tudo num único CD para não precisar ficar mudando de um para outro...

ABBA (ABBA)

Parece-me que os arranjos dos primeiros álbuns do grupo eram mais ousados e as letras mais naïve e, à medida que os anos passavam, a instrumentação tendia a algo mais tradicional enquanto as letras se tornavam mais profundas. Neste 2º álbum que leva apenas o nome do quarteto sueco, certamente um dos melhores de sua carreira, temos alguns exemplos disso em Mamma Mia, onde um xilofone costura todo o arranjo e, na introdução/ponte instrumental, mantém um ostinato sobre o qual a guitarra "canta" a melodia da parte B da canção. Em Bang-A-Boomerang a música é levada praticamente só pelo baixo e a caixa da bateria. Em vez de pratos, os acentos são feitos num "bell-tree" (cacho de sinos). Isso abre espaço para que os teclados que fazem o tema da introdução fiquem com uma sonoridade super brilhante. Econômico e bem original.

Outra de minas preferidas, calcada num piano cheio de efeitos que o deixam a meio caminho de um instrumento acústico e um Fender Rhodes é a melancólica e angustiada S.O.S., cantada por Agnetha,a loura do grupo.

A semi-progressiva Intermezzo No.1, outra de minhas favoritas, é uma das duas únicas faixas instrumentais gravadas pelo grupo (a outra, Arrival, foi até regravada por Mike Oldfield em seu álbum QE2).

O CD que tenho vem com 2 faixas bônus: a tolinha Crazy World, sobre um sujeito que vê um homem saindo da casa de sua namorada e, depois do susto inicial, descobre que se tratava apenas do irmão da garota que havia voltado de viagem. Como disse, tolinha... Para terminar o único registro em discografia oficial do grupo fazendo covers, no caso um medley (Pick A Bale Of Cotton/On Top Of Old Smokey/Midnight Special) muito maneiro! Devia ser perfeito para encerrar os shows da banda... pode botar essa na minha lista também!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Featuring Phil Collins (Brand X)

Este álbum (que ganhei de Fábio Henriques, responsável pela mixagem de meu CD) é cheio de incógnitas: sei que se trata de uma coletânea mas quase não se acha informação sobre ele na Internet. Ele não parece estar à venda em qualquer loja virtual. A ficha técnica se limita aos títulos, durações e autores das músicas, não dá pra saber quem toca o quê na banda, com a exceção óbvia de Phil Collins que é o único que reconheço na capa do CD. Aliás, um dos integrantes foi relegado à borda esquerda da caixa do CD e nem aparece no encarte quando este é retirado da caixa (corrigi esta injustiça fazendo uma montagem da capa com este pedaço do fundo da caixa).

Gosto do álbum, apesar de não ser exatamente um fã de jazz-rock. Mas poucas das faixas se destacam durante a audição do mesmo. Entre elas a nervosa Nuclear Burn em 11/8, a melancólica, mas suingada, Euthanasia Waltz e mais Smacks Of Euphoric Hysteria e Macrocosm. Sun in the Night também chama a atenção por ser a única cantada (segundo descobri, com letra em sânscrito na voz de Phil Collins, que mais parece um indiano) mas não está na minha lista de favoritas.

Now and Then (Carpenters)

Conheci este álbum pelas mãos de meu colega Luis Antonio de Almeida, que além de herdeiro e biógrafo de Ernesto Nazareth, é fã de carteirinha (literalmente) dos Carpenters.

Este é quase um álbum conceitual: o que foi originalmente o lado B do vinil é aberto com a nostálgica Yesterday Once More (J. Bettis; R. Carpenter) que fala da saudade que o personagem-cantor tem de sua infância quando se emocionava ouvindo as canções no rádio. O fim desta canção se funde a um pout-pourri de antigas canções (americanas) incluindo Fun, Fun, Fun dos Beach Boys e End of the World do repertório dos Herman's Hermits, intercaladas pelo guitarrista dos Carpenters, Tony Peluso, fazendo o papel de um locutor de rádio. A seqüência se encerra com uma reprise de Yesterday Once More numa versão diferente e mais curta.

Além desta parte conceitual muito legal, o álbum inclui outros sucessos da dupla como Sing, This Masquerade e Jambalaya (On the Bayou).

A audição deste álbum sempre me leva de volta a um passado que não conheci pessoalmente mas que gosto mesmo assim. "It's yesterday once more, doo-bee-doo, wah, wah..."

terça-feira, 28 de agosto de 2007

incantations (Mike Oldfield)

Já ouvi algumas coisas do artista que não me interessaram muito, nunca havia visto este álbum em terras tupiniquins e esta capa, convenhamos, não é muito empolgante. Juntando tudo isso, esse seria provavelmente o último álbum de Mike Oldfield que iria comprar. Isto se não tivesse tido a oportunidade de ouvir a versão integral do mesmo em mp3. Gostei tanto do trabalho que o incluí logo na minha lista de aquisições.

Sei que alguns o acham um pouco repetitivo (é verdade que 19 estrofes da mesma melodia na faixa 2 cansam um pouco...) mas aquele tema obsessivo na flauta e depois no vibrafone logo no começo me encantaram logo à primeira audição. Talvez por isso o álbum tenha ganho este título...

Na verdade encaro o trabalho como sendo uma peça única em 4 partes. Por isso não dá pra dizer quais as minhas faixas preferidas... Tá bom, vamos considerar que a tal letra da parte 2 a desabona
um pouco e então as partes 1, 3 e 4 são minhas favoritas, ok?

Sleep Dirt, Frank Zappa

Conhecia a versão original toda instrumental em vinil e fiquei muito desapontado quando comprei o CD onde 3 das faixas apareciam em versões cantadas. Não que a cantora (Thana Harris) ou as letras sejam ruins, muito pelo contrário. Além do mais, esta é a versão inicialmente idealizada pelo artista e posteriormente aprovada por ele, mas para nós, os fãs, acho que a edição em CD deveria incluir as versões instrumentais nem que fossem como bônus. Finalmente encontrei na Internet uma transcrição em mp3 desse vinil e pude incorporá-las às faixas convertidas de minha versão em CD.

Minhas músicas preferidas são Flambay, Spider Of Destiny e Time Is Money em suas versões instrumentais, Filthy Habits e, em primeiro lugar, Regyptian Strut.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Burnt Weeny Sandwich (Frank Zappa)

Este é certamente um de meus álbuns preferidos do artista. Curiosamente como ele é essencialmente instrumental e várias das faixas se emendam quase como numa peça única, tenho dificuldade para identificá-las e lembra seus títulos, por isso tive de ouvir o começo de cada faixa para escrever esta resenha.

Ele abre e fecha com 2 músicas bobinhas (mas que eu adoro): WPLJ (abreviação de "White Port and lemmon juice" ou "(vinho do) Porto branco e sumo de limão...") e Valarie. Essas são fáceis de identificar porque são as únicas cantadas.

As faixas Igor's Boogie, (Phase One e Phase Two) e Aybe Sea são bem curtinhas e têm um caráter bem erudito/contemporâneo destacado por suas harmonias diatônicas não-tonais e não-modais. Ou seja: são diferentes e estranhas mas não parecem tão dissonantes assim e acabam soando até divertidas.

Overture To A Holiday In Berlin, pelo contrário, seria uma valsinha super tradicional, não fosse pela total desafinação proposital de alguns dos instrumentos, o que causa uma sensação de estranheza total para qualquer um que não esteja acostumado a assistir recitais de alunos de 1º semestre de violino por exemplo...

Theme From Burnt Weeny Sandwich (que é muito boa) acaba sendo a menos interessante das instrumentais. Trata-se de uma longa vamp para o improviso de Zappa na guitarra. Nesse estilo, The Little House I Used To Live In acaba sendo melhor porque, além do trecho improvisado para guitarra e violino, inclui uns temas bem interessantes e frenéticos e acaba com uma pequena interação do artista com um fã demente que fica berrando do fundo da platéia...

The Grand Wazoo (Frank Zappa)

Da fase jazz-big-band do artista, este álbum é uma espécie de irmão gêmeo de outro, Waka/Jawaka, embora bem melhor, em miniha humilde opinião.

Gosto do álbum todo, mas minhas preferidas são Cletus Awreetus-Awrightus e Eat That Question que começa com um piano Fender Rhodes solo, apresentando o tema de forma bem livre e depois puxa a banda toda.

Tinseltown Rebellion (Frank Zappa)

Não é de minha fase preferida, mas este disco é tão bom que tive de me render ao repertório mais pop/rock do artista.

Embora este seja um álbum gravado ao vivo, a primeira faixa foi gravada em estúdio: Fine Girl. Ela é seguida pela vibrante Easy Meat. Há ainda muitas coisas legais, até mesmo a faixa Panty Rap, onde Zappa pede a doação de calcinhas e soutiens para a obra de uma escultora. O fato é verídico embora até a platéia duvidasse...

A essa lista de preferidas incluo também Brown Shoes Don't Make It e a 3ª versão da clássica Peaches in Regalia, por isso chamada neste álbum de Peaches III.

Baby Snakes (Frank Zappa)

Primeiramente assisti ao DVD e resolvi incluir esta resenha pq as músicas nas cenas do show são as mesmas do CD homônimo. As postagens seguintes já são sobre o CD mesmo.

Este álbum ilustra bem a idéia que Zappa tinha de seu trabalho: "_Se não é por prazer, então qual é a utiilidade?" - é impressionante como as pessoas se divertem nesse show. Platéia, músicos e o próprio Zappa. Neste sentido, as melhores faixas acabam sendo Titties 'N Beer (um hilário desafio entre Zappa e o diabo, interpretado magnificamente pelo então jovem Terry Bozzio) e Punky's Whips, outro ponto alto de interação da dupla onde Zappa conta (e Bozzio interpreta) como o jovem baterista se apaixonou pelo retrato do guitarrista de uma banda comercial.

Outro exemplo de extrema competência musical somada à pura diversão é a dificílima Black Page #2, quando boa parte da banda mostra toda sua precisão rítmica e técnica, enquanto o resto dos músicos dança extrovertidamente com uma dezena de fãs desengonçados no palco. Mas essa imagem só se percebe no DVD, uma pena...

domingo, 26 de agosto de 2007

Catfish Rising (Jethro Tull)

Este álbum é correto, certinho, mas não chega a empolgar. Tudo transita entre blues, rock e folk. Até aí não disse nenhuma novidade, afinal, boa parte do trabalho do Jethro está neste universo, mas as músicas são muito parecidas umas com as outras. Muita letra e poucos detalhes que possam diferenciá-las. Na primeira audição consegui destacar Like A Tall Thin Girl por sua introdução sincopada e sua letra divertida, mas vou ver se melhoro minha opinião depois de uma 2ª audição.

sábado, 25 de agosto de 2007

The Pros and Cons of Hitch Hiking (Roger Waters)


Levei uns 20 anos pensando se deveria ou não comprar este álbum. Ninguém o tinha ouvido nem lido comentários sobre ele. Veio a era do CD, depois a das promoções das Lojas Americanas e por fim, quando o achei em promoção por R$8,90 no último dia de existência de uma loja num shopping, resolvi arriscar. Me arrependi...

O disco é lamentável. É como se escolhesse a música mais arrastada de The Final Cut e a esticasse por TODO O ÁLBUM! Impressionante! Para não dizer que é tudo uma coisa só, vê-se uma pequena mudança em ânimo e andamento na faixa título, mas é só. Pode ser que depois de outras audições ele se torne um pouco mais agradável. Difícil vai ser eu ter vontade de ouví-lo de novo...

Para piorar a situação, a minha versão vem com uma capa censurada (a da direita), provavelmente uma versão puritanista americana... Ridículo!

Focus (Jan Akkerman & Thijs Van Leer)

Impliquei muito com esse disco na época em que foi lançado. Tudo por causa do extensivo uso de bateria eletrônica (drum machine) em todas as faixas. Mas depois de um tempo eu acabei me rendendo ao trabalho. Tá certo que a maior faixa (Beethoven's revenge) é meio sem-gracinha e repetitiva, mas não chega a ser ruim. Além disso, as outras 6 faixas acabam compensando.

Minhas preferidas são King Kong, Le tango, Indian Summer e Olé Judy

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Orchestral Favorites (Frank Zappa) 2 vezes

As obras orquestrais de Frank Zappa tendem a ser sombrias e um pouco confusas, com muitos pedaços aparentemente desconexos e pouco material temático desenvolvido na peça inteira. Parecem trilhas para desenhos animados da década de 70. Esse é um pouco o caso deste álbum mas, apesar disso, gosto muito dele. Pedro's Dowry e Bogus Pomp seguem um pouco esta linha, mas em contrapartida, Strictly Genteel, uma valsa solene no andamento mas de caráter leve e despretencioso, ajuda a aliviar qualquer estranheza.

Duke Of Prunes é mais puxada para um jazz-rock sinfônico e tanto seu tema quanto o solo de guitarra são muito bonitos.

Naval Aviation In Art? acaba sendo o melhor de dois mundos: uma peça com caracterîsticas de música erudita contemporânea mas, por ser concisa, diz a que veio sem cansar a atenção do ouvinte.

Construção (Chico Buarque)

Este clássico de Chico Buarque começa com um trecho meio conceitual que inclui Deus lhe Pague, Cotidiano e se encerra com Construção. Antes desta porém vem Desalento que mostra nitidamente de onde vem a principal influência de Marcelo Camelo (Los Hermanos). O único "porém" deste bloco é a repetição integral de Deus lhe Pague no final. Poderia ser uma estrofe ou duas...

O segundo bloco traz mais algumas canções melancólicas com poesia simples e melodias marcantes.

O álbum é todo bom, mas minhas preferidas são mesmo as 3 faixas com versos mais dramáticos e arranjos apocalípticos do bloco inicial.

Horizons (Carpenters)

Este álbum é uma obra-prima! Os arranjos discretos e refinados de Richard caem como uma luva na voz íntima, sedutora e melancólica de Karen. Ouvi tanto Please, Mr.Postman, quando era pequeno, que, quando aprendi inglês, consegui escrevê-la inteira de cabeça!

O álbum abre e fecha com a mesma música travestida em letras diferentes e com os sugestivos títulos de Aurora e Eventide ("entardecer"). Além delas, minhas preferidas são as mais alegres Only Yesterday, Please Mr.Postman (um dos dez melhores solos de guitarra que já ouvi na vida!) e... Happy! Porém, as outras, mais melancólicas, são também lindíssimas. O único defeito deste grande álbum é ser curto demais...

Pyramid (Alan Parsons Project)

Terceiro álbum do projeto pessoal de Alan Parsons e Eric Woolfson, este álbum começa a sedimentar o gênero prog/pop que marcou o estilo da dupla e de seus parceiros até boa parte dos anos 80: baladas, pop/rock e peças instrumentais alternando sintetizadores e arranjos orquestrais com cara de trilha sonora de cinema.

O álbum é todo muito bom, mas, com algum esforço, posso destacar as baladas The Eagle Will Rise Again e Shadow Of A Lonely Man e as instrumentais Voyager, In The Lap Of The Gods e Hyper-Gamma-Spaces.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Heavy Horses (Jethro Tull)

Um dos melhores álbuns da banda. A combinação de instrumentos acústicos (bandolim, violões, xilofones...) e guitarras dá o tom deste folk-rock de primeira categoria.

Minhas preferidas são ... And The Mouse Police Never Sleeps, Acres Wild, Journeyman, Rover e a própria Heavy Horses.

Rumours (Fleetwood Mac)

Do Fleetwood Mac eu só conhecia Hold Me que chegou a tocar bastante nas rádios na época de seu lançamento na década de 80 (época em que eu ainda ouvia rádio...). Mas sempre ouvi falar muito bem da banda. O especial "Álbuns Clássicos" no History Channel sobre este "Rumours" foi a deixa para eu correr atrás dele.

Não é "o melhor álbum pop que já ouvi" como me disse o dono da loja que me vendeu o CD (claro...), mas até que é legalzinho. Minhas preferidas são Never Going Back Again, Don't Stop, You Make Loving Fun (acho que já a conhecia de algum lugar) e The Chain. Esta última já me valeria sozinha a compra do disco. Ela segue arrastada e tensa, angustiada como se profetizasse o rompimento de uma represa. Mas esse momento nunca chega. Até o final da música... Aí, uma linha de baixo simples, mas poderosa, começa a cantar, trazendo em suas costas a banda para a catarse de toda aquela angústia contida.

Conheci esse trecho final num comercial antigo dos cigarros John Player Special e por muitos anos tive de conter a curiosidade de saber que música era aquela. Finalmente o especial do History Channel solucionou esse mistério.

Eye in the Sky (Alan Parsons Project)

Há muito tempo pensava em comprar este disco. Talvez desde 1983 quando ele foi lançado e Sirius e Eye in the Sky tocavam direto nas rádios da moda. Mas o tempo foi passando, o álbum saiu das lojas, a versão em CD não chegava aqui... até que achei-o por uma pechincha na Fnac de Madrid, nas semanas que passei por lá, estudando.

É um trabalho mais voltado para o pop do que os primeiros álbuns que sempre tinham uma ou mais faixas instrumentais com orquestra e tudo. Apesar disso, ele é muito bem amarrado e tem um perfeito equilíbrio entre as baladas e as músicas mais intensas.

Minhas preferidas, além das supra citadas que abrem o álbum, são Psychobabble e Old and Wise, mas a instrumental Mammagamma apesar de musicalmente fraquinha, acaba funcionando bem como avò da techno-music.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

A Página do Relâmpago Elétrico (Beto Guedes)

Depois de tantas pessoas comentando semelhanças entre meu trabalho e o do pessoal do Clube da Esquina, resolvi conhecer melhor o som desses mineiros. Este álbum foi uma das primeiras indicações que recebi.

Confesso que estranhei muito a voz de Beto Guedes e sua... er... como dizer..."afinação alternativa". Mas depois da 3ª ou 4ª audição acabei me acostumando. O álbum é realmente muito bom. Só acho que rola uma "barriga" em Nascente porque já foi gravada e regravada milhares de vezes (e essa versão não traz nada de especial) e em Belo Horizonte, um chorinho do pai do artista. Esta última é até bonita, mas tem pouco a ver com o resto do álbum.

Minhas preferidas são Choveu e as instrumentais (e progressivas...) Chapéu de Sol e Bandolim.

domingo, 19 de agosto de 2007

Larks' Tongues in Aspic (King Crimson)

O King Crimson não faz o que poderíamos chamar de uma música fácil de ser compreendida, mas eu gosto muito. Para ajudar os ouvidos menos familiarizados, este álbum tem duas baladas muito bonitas: Book of Saturday e Exiles. Além destas, minha lista de preferidas inclui as duas partes de Larks' Tongues In Aspic que abrem e fecham o álbum respectivamente.

Contos da Lua Vaga (Beto Guedes)

Quarto álbum solo da carreira do artista e terceiro por mim adquirido desde que comecei a me interessar pelo Clube da Esquina e seus sócios... (ver A Página do Relâmpago Elétrico).

Tão bom quanto os dois primeiros álbuns (o 3º ainda não conheço), porém, mais parecido em estilo com o 2º, este disco abre com minha preferida em todo o repertório de Beto Guedes: O Sal da Terra. Não exatamente pela mensagem bicho-grilo da letra, embora eu até goste dela, mas pelo solo de sintetizador no final e pela harmonia cheia de empréstimos modais e modulações, coisa que raramente me chama a atenção.

Outra de minhas preferidas de seu repertório e também integrante deste álbum é Quatro (nome de um instrumento de cordas popular na Venezuela). A estas e à Canção do Novo Mundo, que eu já conhecia, somam-se Contos da Lua Vaga e as instrumentais Sete Flautas (na verdade uma vinheta baseada na música que dá nome ao disco) e Dona Júlia.

Amor de Índio (Beto Guedes)

Depois de ser formalmente apresentado ao trabalho do artista (ver comentário sobre A Página do Relâmpago Elétrico), resolvi ir me aprofundando aos poucos em seu trabalho. Essa foi minha 2ª aquisição neste sentido.

Esse álbum é mais bem-acabado do que o 1º. Na média, as músicas também são melhores, mas nenhuma tem aquele charme semi-prog que o outro álbum trazia. Aqui, o que temos são canções. Mas algumas são lindíssimas...

Aquelas que já eram conhecidas das rádios ou de rodas de violão, acabaram chegando antes na minha lista de preferidas: Amor de Índio, Feira Moderna (com uma linha de baixo maneiríssima!) e O Medo de Amar é o Medo de Ser Livre. Mas, depois de poucas audições, tomei gosto pelas outras, em especial Novena e Gabriel.

sábado, 18 de agosto de 2007

Pet Sounds (Beach Boys)

Já tinha ouvido falar muito bem deste álbum, que ele era um clássico, tal e coisa, coisa e tal, mas confesso que não levava muita fé num grupo cujo maior sucesso era Surfin' U.S.A.. Porém, quando tive oportunidade de pegá-lo emprestado de meu aluno Felipe, acabei me rendendo ao estilo de Brian Wilson. É fato que algumas letras são bem tolinhas e outras procuram angustiadas um jeito de salvar o mundo, coisas de adolescente romântico. Mas os arranjos são tão fantásticos que acaba sendo mesmo difícil resistir àqueles vocais cheios de "tchu-tchu-tchu" e "Bap-bap-bap"...

É muita coisa boa para escolher mas vou me ater à nata da nata deste disco: Wouldn't it be Nice, Sloop John B, I'm Waiting For The Day e as instrumentais Let's Go Away For Awhile e Pet Sounds, esta última com pinta de trilha do "007"

O CD que comprei traz as 13 faixas em sua versão original mono, uma letra alternativa para I Know There's an Answer entitulada Hang on to Your Ego e, novamente, as 13 faixas originais em estéreo, somando um total de 27 faixas (14 bônus!!!)

Além disso, o encarte de 28 pág. (!!!) traz dezenas de imagens, a ficha técnica completa falando das diferenças entre as versões mono e estéreo, um histórico do álbum, depoimentos de vários artistas... mas sem as letras das músicas! Não importa: com o advento da Internet isso não chega a ser problema. Aliás, mesmo sem ela, quem sabe um pouco de inglês consegue entender as músicas com facilidade, porque as letras são fáceis, a pronúncia clara e a mixagem limpa.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Musique D'Or (Ravel, Debussy, Mahler)

Não gosto muito de discos de coletânea: são um apanhado de diversas fases de um artista, muitas vezes organizados no álbum fora de sua ordem cronológica e, desse modo, fica difícil enxergar as músicas dentro de um contexto. Pior é quando se trata de uma coletânea com artistas diferentes, como o caso deste álbum e de vários do repertório dito "clássico".

Provavelmente você deverá estar se perguntando:"_Porque então ele comprou este CD?" - e a resposta é simples: R$1,99! Por esta pechincha, devido ao fechamento de uma loja de CDs, resolvi adquirir este Prélude à l'après-midi d'un faune. Sim, porque o Bolero de Ravel eu já tinha em outro CD e nunca me interessei muito pelo romantismo tardio (e quase neo-clássico) de Mahler. Além de tudo, neste álbum incluiram somente o 4º movimento da 5ª sinfonia do compositor. Retalho de retalho...

Nunca parei para comparar as duas versões do Bolero que tenho. Esta me pareceu muito boa. O Prélude também valeu a pena, embora, curiosamente, não seja tão fã da obra orquestral de Debussy como sou de seu repertório para piano solo. Já o pedaço da 5ª sinfonia de Mahler atendeu minhas espectativas: bem feitinha, mas não me chamou muito a atenção.

Impressionante é a ficha técnica: simplesmente não existe! Não sei quem toca, quem rege, quando foi gravado, enfim, nada que não seja o título e a duração das faixas. Também, o que você esperaria de um CD comprado por R$1,99...

Piano Music by Claude Debussy (Lívia Rév)

Sou fã de Debussy, principalmente de sua obra para piano. Ouso dizer que Clair de Lune é a música mais bonita que eu já ouvi na vida e está neste álbum.

Mesmo para um fã como eu, é difícil ouvir este álbum triplo de uma vez só, mas às vezes eu o faço. Fora a música mais bonita do mundo, a minha parte preferida fica no 2º disco: o 1º álbum de prelúdios para piano. Isso porque já tinha uma gravação destas 12 peças em vinil e, obviamente, elas me são mais familiares do que o resto deste álbum.

Dentre esses prelúdios, destaco Des pas sur la neige, Les Collines d´Anacapri e La Cathédrale engloutie, tornada famosa por abrir e fechar a música The Harbour do álbum Ashses Are Burning do Renaisence.

Danger Money (UK)

Comprei esse CD num daqueles dias em que a mão está coçando para gastar dinheiro. Não era promoção nem nada mas achei que o preço era justo e resolvi apostar nessa formação do grupo com 3 feras de currículo respeitável: John wetton (baixo e voz), Eddie Jobson (teclados e violino elétrico) e Terry Bozzio (bateria e percussão). Não me arrependi.

Antes de tudo é preciso dar 2 avisos:
1 - o disco é tão datado, que, se a gente prestar bastante atenção, dá até pra descobrir que dias de 1978 eles gravaram o trabalho :-)
2 - a 5ª faixa (originalmente a 2ª do lado 2) foi claramente composta para tocar na rádio. Depois de uma introdução "mais-ou-menos", entra um tecladinho chulé repetindo o ritmo do refrão: "Nothing to loo-oo-oo-oose...". Muito chinfrim! Destoa de todo o resto.

Fora esses detalhes o disco é muito bom. Jobson e Bozzio são tão limpos e precisos que parecem máquinas tocando, e a voz de Wetton cai como uma luva em cima de tanto virtuosismo, principalmente na belíssima quase-balada Rendezvous 6:02 (tá vendo? Nem precisava fazer aquela música de trabalho lesco-lesco...).

Por causa da voz de Wetton e dos timbres-de-teclado-da-moda (da época), o álbum soa como uma mistura de King Crimson com Emerson, Lake & Palmer. Todas as faixas (obviamente com exceção da famigerada Nothing to Loose) são muito boas mas, ainda assim, dá pra destacar a última, Carrying No Cross, com suas partes cantadas soturnas e angustiadas separadas por uma ponte instrumental vibrante, onde Jobson mostra todo seu talento virtuosístico, criativo e também o dinheiro que gastou comprando todos os teclados da época ;-)

Bedside Manners are Extra (Greenslade)


Há algum tempo atrás, Fábio Henriques (que mixou meu CD) me emprestou dois álbuns do Greenslade que, por sua vez, lhe foram emprestados pelo Carlos Trilha (tecladista da Marisa Monte). Um destes álbuns era este. Lembro-me que não os achei grande coisa mas depois de várias audições acabei me afeiçoando ao trabalho. Foi então que Fábio os pegou de volta e fiquei um pouco frustrado.

Uns seis anos se passaram e encontrei este álbum numa loja por um preço razoável. Resolvi levá-lo pra casa esperando gostar logo de cara mas acabei achando-o meio sem gracinha. Porém, como da primeira vez, depois de algumas audições (ou pelo menos depois de uma mais atenta...) acabei gostando dele de novo!

Acho que o que dá essa má impressão é faixa que abre e dá nome ao disco. Não é que seja ruim, mas é uma baladinha despretenciosa que destoa um pouco do resto.

Minhas faixas preferidas são Pilgrim's Progress e Sunkissed You're Not.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Switched on Bach (Walter Carlos)


Este álbum é um clássico em todos os sentidos:
- um álbum todo com peças de Bach,
- interpretado por Walter Carlos (atualmente Wendy Carlos), que mais tarde faria a trilha sonora do clássico "Laranja Mecânica" de Stanley Kubrick,
- no 1º disco de música clássica a vender mais de 500.000 cópias,

- com a 1ª gravação comercial de um sintetizador
- sendo este o 1º modelo comercial de Robert A. Moog.

Como sou fã de Bach minha opinião pode parecer um pouco mais parcial, mas a verdade é que o trabalho é realmente fantástico! Impressionante o que Carlos conseguiu fazer com um instrumento tão limitado como eram os primeiros sintetizadores.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Smile (Brian Wilson)


O trabalho de Brian Wilson, desde o tempo dos Beach Boys, é único e, no caso deste álbum, que comprei quase às cegas, realmente impressionante. Valeu a pena os 30 anos que tivemos de esperar pela conclusão dele. Talvez "Smile" seja um dos 10 melhores álbuns que já ouvi na vida!

Embora os vocais sejam muito bem explorados, os arranjos usam uma paleta de timbres vastíssima. A banda que acompanha o artista é formada por 18 músicos tão versáteis quanto ele: a maioria toca vários instrumentos e canta.

O álbum se divide em três blocos diferentes formados por várias canções agrupadas, cada um deles funcionando como uma peça única. Deste modo, apesar do formato pop das canções, o CD tem um "quê" de progressivo em sua concepção. Essa talvez seja a única ressalva deste trabalho: às vezes um tema aparece em várias canções, outras vezes uma mesma música tem váiras partes diferentes... isso acaba tornando um pouco difícil a identificação do começo e fim de cada faixa.

Entre meus trechos preferidos (acho que neste álbum, esse termo cabe melhor), estão Roll Plymouth Rock, Barnyard, Wonderful, Child is Father of the Man, Vega-Tables e Good Vibrations.

Para completar, o encarte que acompanha o CD, além do design primoroso, trás informações interessantíssimas sobre história do trabalho.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Ceylon / Bird of Passage (Karlheinz Stockhausen)


Enfant terrible da vanguarda contemporânea alemã, Stockhausen experimentou quase tudo em sua trajetória artística. Neste disco, influenciado pela música do Ceilão (atual Sri Lanka), Stockhausen compôs 2 peças que tomam cada uma um lado do vinil que transcrevi.

É muita vanguarda para meus ouvidos incautos! A música me pareceu muito vaga e árida. Estrutura e forma são ou extremamente livres ou absolutamente herméticas tornando qualquer compreensão muito difícil. Talvez precise escutá-las mais umas 50 ou 60 vezes. Só não sei se vou ter paciência para tal...

sábado, 11 de agosto de 2007

Rock Requiem (Lalo Schifrin)


Já era fã de Lalo Schifrin pelo tema de "Missão Impossível" e por seu álbum (de título kilométrico mas chamado simplesmente de) "Marquês de Sade". Por isso, quando vi este disco em minhas andanças pelas lojas de usados não hesitei em levá-lo. Dei sorte: é um álbum excepcional!

Lalo compôs este réquiem* "para os mortos na querra do sudeste asiático" (em 1971, ano de lançamento do disco, a guerra do Vietnam estava a pleno vapor...). A obra mistura gospel, rock, jazz e tem umas pitadas de Cuba nas tumbadoras discretas que aparecem em várias faixas. Além destes tambores afro-caribenhos, a orquestra junta percussão sinfônica, bateria, baixo-elétrico, guitarra, órgão elétrico, os naipes completos de sopros, um côro gospel e um solista com um vozeirão de baixo espetacular.

Difícil é escolher alguma preferida no meio delas... talvez Procession, Kyrie Eleison, Offertory Verse, Agnus Dei e Final Prayer chamem mais atenção na primeira audição, mas certamente o álbum é bastante homogêneo e todas as músicas igualmente boas.

*Obs: "réquiem" é uma tradicional missa em homenagem a um morto e significa "descanso" em latim.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

One Size Fits All (Frank Zappa and the Mothers of Invention)


Este álbum, da fase jazz-rock do artista, tem algumas faixas muito boas e outras só legais (nenhuma exatamente ruim). O importante é que abre e fecha com ótimas músicas e tem alguma coisa legal também no meio.

Dentre as (muito) boas estão Inca Roads, Po-Jama People, e Sofa No.1 e No.2.

Hunting High and Low (A-ha)


Tenho de confessar a má vontade e preconceito que tinha em relação à música pop e comercial em meados da década de 1980. Comecei a gostar de A-ha "a fórceps" porque tive de tirar algumas de suas músicas a pedido de algumas alunas de violão da época. Aos poucos comecei a gostar dos timbres de teclados, das harmonias levemente rebuscadas e da voz de Morten Harket... aí já tinha virado fã do grupo. É certo que ainda não me senti motivado a ouvir do 4º álbum em diante, mas um dia eu tomo coragem...

Minhas preferidas são as famosas Take on Me e Hunting High and Low (cujos video-clipes são fantásticos) além de Blue Sky e Here I Stand and Face the Rain.

The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring (Howard Shore)


Não sou um ouvinte costumaz de trilhas sonoras mas fiquei muito impressionado com esta quando assisti ao filme no cinema, principalmente com o trecho sombrio, melancólico e sobrenatural da música dos elfos de Lothlorien em homenagem a Gandalf. Talvez por isso minha sogra tenha me presenteado com este CD.

Howard Shore não é exatamente um iniciante nesta arte e sabe construir climas muito bem, mas não tem a genialidade de John Williams para criar temas que ficam em nossas cabeças.

O tema principal (que não chega a ser um leitmotif...) funciona bem no filme, apresenta o clima épico da estória, mas tem pouco fôlego, pouca pregnância. Melhor, nesse sentido, é o tema do condado (Concerning Hobbits) inspirado claramente no folclore irlandês. Todo o resto funciona excelentemente bem como fundo musical e ponto. Tenho a impressão que, se algo ficará na memória para a posteridade, talvez seja a canção de Enya, provavelmente criada para poder concorrer ao Oscar em sua categoria...

Apesar de meus comentários acima, a orquestração e (principalmente) o uso de côros sinfônicos maciços dão um toque monumental e wagneriano ao épico e, para os fãs do gênero, essa trilha não deixa nada a dever.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Lux Aeterna (Györgi Ligeti)

O húngaro György Ligeti (28/maio/1923 – 12/junho/2006), um dos maiores expoentes da música erudita contemporânea, ganhou notoriedade depois que Stanley Kubrick usou algumas de suas peças na trilha sonora de "2001: uma odisséia no espaço" (6 das 13 faixas do CD da trilha são de Ligeti e a última faixa não é de música, mas um trecho de diálogo do filme). Um desses clássicos, Lux Aeterna, que integra e dá nome a esse álbum, já seria o suficiente para torná-lo uma referência. Como se não bastasse, ainda há outras obras bastante representativas do compositor.

Apesar de toda essa pompa e reverência, confesso que não é um trabalho para apreciar nas horas de lazer. Acho que funciona mais como trilha sonora mesmo, principalmente por sua sonoridade ampla e espacial. Nas 4 peças não há melodia, nem pulso aparente (salvo no 3º movimento do quarteto de cordas), nem uma harmonia classificável. Apenas um trabalho (meticuloso) das características timbrísticas dos instrumentos.

O Quarteto de cordas nº 2 trabalha com vários tipos de ruídos e dinâmica. Gestos muito nervosos se contrapõem à blocos de longas notas, agudíssimas como silvos quase inaudíveis, que se estendem estáticos durante quase todo o quarteto.

Lux Aeterna, minha preferida (o tema do monolito no filme), usa um côro de 16 vozes para criar uma impressionante massa sonora, quase estática, que cria um ambiente por vezes fantasmagórico. Não a ouça sozinho de noite...

Volumina e Estudo nº 1, ambas para órgão de tubo, mais uma vez trabalham com blocos de massa sonora impressionantes, sendo que a primeira incorpora também alguns dos gestos nervosos que mencionei na definição do quarteto de cordas.

Independente de gosto, qualquer um que deseje se tornar um verdadeiro conhecedor de música precisa ouvir, pelo menos uma vez na vida, esse álbum do começo ao fim. Tudo bem, pode fazer umas pausas entre uma música e outra...

Villa-Lobos (Turíbio Santos)


Não curto muito música para instrumento solo, salvo música para teclado, principalmente a obra de Debussy para piano e de Bach para órgão. Comprei esse CD por questões profissionais: para pesquisa, consulta, sei lá. Tenho várias coisas que não costumo ouvir nas horas de lazer mas preciso ter em casa para consulta. E, para esse fim, esse é um título fundamental. Nele Turíbio Santos gravou os 5 prelúdios e os 12 estudos para violão e mais 7 outras peças para o instrumento solo.

Ouvimos esse álbum hoje no trabalho a pedido de um estagiário.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Trespass (Genesis)


Primeiro álbum onde a banda começou a mostrar a que veio e último com o guitarrista original, Anthony Phillips.

Minhas preferidas são as faixas que abrem e fecham o álbum, respectivamente Looking for Someone e The Knife. Além disso, adoro o solo simplesinho de teclado em Stagnation.

Smallcreep's Day (Mike Rutherford)


Este poderia muito bem ser um álbum do Genesis da época do "Duke" (1980). Boa mistura de pop e progressivo, ou seja música sem rótulos.

Destaco as 7 faixas que compõem a suite que dá nome ao álbum (originalmente o 1º lado do vinil) e que, por sua vez, é inspirado no livro homônimo.

From Genesis to Revelation (Genesis)


A banda deste álbum tem Tony Banks nos teclados, Mike Rutherford no baixo/guitarra e Peter Gabriel nos vocais. Apesar disso, considero outra coisa que não o Genesis. Aliás, nessa época, nem eles mesmos sabiam que nome usar. Já havia uma outra banda "Genesis" nos EUA. "Revelation", outra possibilidade de nome, também existia. Para piorar, "In the Beggining", nome pensado para título do álbum, também já havia sido lançado pela tal "Genesis" americana! Acabaram lançando como "From Genesis to Revelation" sem dizer o que era banda e o que era título do álbum.

Além disso tudo, este trabalho foi criado dentro dos moldes decididos pela (gravadora) DECCA, com músicas compostas no estiilo (e para agradar ao diretor, fã) dos Bee Gees dos anos 60 e tem quase nada do que viria a ser a banda a partir do álbum seguinte, já pela famosa Charisma Records, que lançou quase tudo o que há de importante no progressivo da década de 1970.

As canções são bem simples, com letras entre temas bíblicos e divagações filosóficas típicas do adolescente "cabeça" que deve ter sido o Peter Gabriel, a qualidade da gravação muito lesco-lesco. Apesar disso tudo... eu gosto muito desse álbum e de vez em quando boto ele pra matar a saudade...

Já o vi com umas 5 capas e conteúdos diferentes. A maioria abre com as faixas do 1º compacto da banda, seguem com as músicas originais do LP e fecham com as do 2º compacto. As edições mais recentes têm um CD extra com algumas demos e/ou entrevistas. Não consegui a imagem da 1ª edição em vinil que conheci (e peguei emprestado de meu amigo). Aqui estão a capa original do LP e as capas do vinil e do CD que possuo.

Minhas canções preferidas são: That's Me, In the Beggining, The Serpent, Am I Very Wrong?, In The Wilderness, In Hiding, One Eyed Hound... caramba, são muitas músicas legais!

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Interstellar Suite (Amin Bhatia) - 2 vezes


Amin Bhatia é um compositor residente no Canadá que trabalha criando trilhas sonoras para vídeo, cinema e televisão. Este é seu único trabalho autoral lançado em vinil e posteriormente em CD.

Para quem gosta de trilhas sonoras e de ficção científica esse álbum é totalmente obrigatório! Esta suíte programática fala das aventuras de uma nave espacial que vai recuperar um satélite e é atacado por alienígenas que seqüestram sua tripulação. Uma tropa de resgate é então enviada para salvar os astronautas. Isso tudo é contado só com música e, obviamente, pelos títulos das faixas.

A música é emocionante e não deixa nada a dever a um John Williams, por exemplo. Só que, em vez de usar uma orquestra ou samplers das mesmas, por falta de grana e "como um gesto de respeito às orquestras pelo mundo afora..." Amin Bhatia recriou todas as texturas com uma exaustiva programação e combinação de sintetizadores e um par de pratos de orquestra. O resultado, apesar de trabalhar com todos os clichés de trilhas de filme de ação, é de extremo bom gosto e de uma complexidade que demonstra um vasto conhecimento de programação de sintetizadores e de orquestração tradicional por parte do autor.

Clube da Esquina 2 (Milton Nascimento)


Creditado a Milton Nascimento mas na verdade têm mais participações do que o "Clube da Esquina (1)". Também gosto muito deste álbum mas prefiro de longe o 1º (leia minha resenha sobre ele).

Como no 1º, há muita coisa boa para destacar: Canoa, Canoa, Mistérios, Canção Amiga, Tanto, Dona Olympia, Testamento...

Clube da Esquina (Milton Nascimento / Lô Borges)


Depois de tanta gente (a última vez que contei já passava dos 20) dizendo que havia semelhanças entre meu trabalho e o dessa galera mineira, resolvi conhecer mais deste som. Este primeiro "Clube da Esquina" é um dos meus preferidos. Tem aquele clima introspectivo e contemplativo de Minas Gerais, uma certa influência de Beatles, jazz, música latino-americana etc... Acho que esse ecletismo é a característica que mais o aproxima de meu trabalho...

É muita coisa boa para destacar mas acho que selecionaria Tudo o que Você Podia Ser, Cais, Saídas e Bandeiras nº1 e nº2, Um Girassol da Cor de seu Cabelo, etc, etc, etc...

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Wise After the Event (Anthony Phillips)



Segundo álbum solo do primeiro guitarrista do Genesis, este trabalho transita entre o que poderíamos chamar de pop e progressivo, como é o caso do Renaissense e do Alan Parsons Project, só que, diferente deste último, num clima bem pastoral. Não muito diferente do estilo de Trespas, última participação de Anthony Phillips no Genesis, seu grupo de origem.

Gosto mais de seu primeiro álbum, mas esse é bom o suficiente para me fazer transcrevê-lo e pensar na compra de sua versão re-masterizada e extendida, lançada há poucas semans atrás...

Hot Rats (Frank Zappa)


Primeiro álbum da fase jazz-rock do compositor. Cinco faixas instrumentais e uma com a pequena participação de Captain Beefheart nos vocais. Todos os instrumentos foram tocados por Zappa e Ian Underwood e este é tido como o primeiro àlbum gravado em 16 canais a ser comercializado.

Não é dos meus preferidos, há muitos improvisos longos e repetitivos, mas tem a 1ª gravação de Peaches en Regalia que é tão clássica que até entrou para o Real Book (livro de standards de jazz).

Além desta, que é uma de minhas preferidas de todo o repertório do artista, também destaco Son of Mr. Green Genes e Little Umbrellas.