segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Sacred Baboon (Yezda Urfa)

Ambient 1 Music For Airports (Brian Eno)

Não me lembro bem como cheguei a este disco, mas tenho quase certeza de que foi através de uma resenha em alguma revista especializada (talvez a extinta "Somtrês").

À primeira audição das 4 faixas do álbum, o disco me pareceu apenas interessante. Mas, com o passar dos anos, este álbum acabou por se tornar uma influência obsessiva em meu trabalho...

O álbum possui apenas 4 composições (1/1, 1/2, 2/1 e 2/2) onde Eno sobrepôs o resultado de vários anéis de fita, de cumprimento diferente e cada um com uma sequência de notas, tocados simultaneamente. O resultado são músicas onde fragmentos de melodias são sobrepostos e repetidos à exaustão, mas, como os loops têm duração diferente, as pequenas sequências se combinam de modo que o mesmo trecho não se repete mesmo depois de 17 min de duração!

A tentativa de criação de algo que tenha o mesmo resultado pseudo-aleatório destas peças de Eno e a sobreposição de "tempos" diferentes, tornaram-se, para mim, uma obsessão recorrente que pode ser percebida em várias de minhas composições:

- nos vocais da abertura e encerramento de "vozes...vozes..." e na base minimalista do solo de flauta de "Limites", ambas de meu CD "Triz";

- na vinheta "Limbo"que abriu meu show no Theatro Municipal de Niterói em setembro de 2005
http://www.youtube.com/watch?v=6i2ZGpy2BSQ

- nas peças "A Time for US", Ëncontros & Despedidas" e "Adeusa", de meu repertório (digamos assim...) erudito.

- numa trilha que fiz para o documentário "Unindo Corações".

Há muitos trabalhos que mudaram minha forma de perceber ou conceber música. Esse não teve um 1º contato tão impactante, mas foi, sem dúvida um dos mais influentes.

Another Green World (Brian Eno)

Les Granges Brulées (Jean Michel Jarre)

Musique pour Supermarché (Jean Michel Jarre)

And Then There Were Three (Genesis)

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Todd Rundgren's Utopia, Todd Rundgren

Ouvi uma faixa deste álbum na falecida rádio on-line Pandora (a rádio ainda existe mas o acesso à ela pelo Brasil foi cancelado...) e achei interessante. Li umas resenhas sobre ele na Amazon e resolvi catá-lo na Internet para conhecê-lo um pouco melhor. É... bem... não era exatamente o que eu esperava. Algumas resenhas tratavam o disco como progressivo talvez por ter apenas 4 faixas, uma deles com 30min, mas a 5ª sinfonia de Beethoven deve ter mais ou menos isso e até hoje ninguém apresentou este compositor como precursor do progressivo... A Utopia de Rundgren está mais para um jazz-rock, e mesmo assim um dos mais básicos.

A última faixa, The Ikon, a tal de 30 min, até tem umas partes interessantes mas funcionaria melhor como pequenas canções. Bem descrito num site da Connolly & Co. (o que vem a ser isso?) http://www.connollyco.com/discography/utopia/rundgrens.html , Todd resolveu curtir uma de Zappa, montou uma banda com 3 tecladistas mas nenhum era um George Duke e também não havia uma Ruth Underwood nas percussões para fazer o trabalho decolar. Talvez por isso tenha sido batizado de utopia...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Pawn Hearts (Van Der Graaf Generator)

Os fãs de progressivo mais radicais me perdoem mas não consigo achar esse álbum grande coisa. Já o comprei em vinil há alguns anos mas levei gato por lebre pois me disseram: "Você, que é fã do Gentle Giant, vai adorar esse trabalho": até hoje não entendi o que um tem a ver com o outro, fora o fato de serem contemporâneos e conterrâneos. Aliás, por causa de suas canções longuíssimas mas de arranjos razoavelmente simples, acho que está muito mais próximo do psicodelismo do Unmagumma (Pink Floyd), por exemplo. Eu gosto de arranjos com ritmos complexos, um monte de instrumentos diferentes, boas melodias ou qualquer coisa que me surpreenda, e, fora uns climas sombrios e efeitos sonoros, este disco não tem nada disso. Pra piorar, a voz e o estilo meio desafinado de cantar de Peter Hammill não me soa muito agradável, apesar de combinar com as letras sombrias. Aliás, quem acha que o Fish (primeiro vocalista do Marillion) era uma cópia do Peter Gabriel deveria ver a incrível semelhança de sua voz e jeito de cantar com a deste outro Peter... Acabei devolvendo o disco ao vendedor e trocando por outra coisa.

Em junho de 2007, numa compra grande numa loja de usados, resolvi dar outra chance ao álbum, desta vez em versão em CD, e de vez em quando dou uma escutada para ver se ele me conquista (como no caso do Bedside Manners Are Extra do Greenslade, que acabou sendo o álbum que mais ouvi desde a criação deste blog...). Até agora eu o considero só passável, mas vou continuar dando chances a ele de vez em quando, sabe como é: eu sou brasileiro, eu não desisto nunca... ;-)

terça-feira, 6 de novembro de 2007

China (Vangelis)




http://www.vangelismovements.com/china.htm

domingo, 4 de novembro de 2007

Messiaen: Turangalila-Symphonie; Lutoslawski: Symphony No. 3 (vários) 2 vezes


Faz muito tempo que queria conhecer a famosa Sinfonia Turangalîla de Olivier Messiaen que deu nome à banda da qual fiz parte no começo dos anos 90. Não sou um grande colecionador de música erudita, apesar de minha graduação em composição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Por isso, nunca esbarrei com esta obra por um preço viável nos sebos que freqüento. Confesso que, depois de conhecer o Catalogue d'oiseaux ("Catálogo de pássaros"), para piano solo, gravado pela Jocy de Oliveira, fiquei temeroso de investir no que seria um CD duplo importado (só a Sinfonia Turangalîla tem mais de 1h 15 min de duração!). Por isso, consegui uma versão em mp3 (temporária!!!) deste álbum.

Como não fazia há muito tempo com qualquer tipo de música, parei exclusivamente para ouví-la, dividindo minha atenção no máximo com as observações que encontrei na Wikipedia sobre seus 10 movimentos (!!!).

É uma obra longa, de música contemporânea e, por isso tudo, não é pra qualquer um ou pra qualquer hora. Confesso que o texto da Wikipedia, a ligação afetiva com a peça e o reconhecimento de diversas citações que meu parceiro Lôis Lancaster fez no trabalho com nossa banda homônima me ajudaram a simpatizar de cara com a peça. Mas vou precisar ouví-la muito mais vezes para conhecê-la melhor.

Quanto à Lutoslawski, só o conhecia de nome, o que já é grande coisa para um compositor contemporâneo russo. Resolvi deixar suas Les Espaces du Sommeil (de 1975) e Sinfonia nº3 (de 1983) tocando enquanto escrevia esta resenha. A primeira, para barítono e orquestra, não me chamou muito a atenção mas sua 3ª sinfonia me pareceu bem interessante. Também, só o tamanho do naipe de percussão já seria suficiente para me fazer gostar dela... ;-)

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Tales From Topographic Oceans (Yes)

Este é um dos mais ousados álbuns do Yes, ou, se preferir, um dos mais "viagem"... Levei algum tempo para apreciá-lo e, ainda hoje, não é um de meus preferidos. É difícil acreditar que em apenas 8 meses um álbum duplo com somente 4 faixas de, em média, 20 min cada, pode sair da simples idéia à mixagem final e ser suficientemente amadurecido, coerente e bem acabado. E não foi o que aconteceu neste caso.

Apesar do que disse no parágrafo acima, o álbum tem excelentes momentos, em particular no segundo disco. As linhas de guitarra de Steve Howe em The Ancient: Giants Under the Sun soam bizarras e exóticas e conseguem realmente evocar outras culturas, civilizações perdidas e talvez até extra-terrestres! Depois, com um violão de (cordas de) nylon, ele faz a parte final com uma candura e simplicidade de uma canção renascentista.

Finbalmente em Ritual: Nous Sommes du Soleil a banda e a música parecem um pouco mais coesas apeasr da participação estranhamente discreta do tecladista Rick Wakeman, dado a estrelismos e apresentações espalhafatosas. Talvez por tudo isso, tenha se cansado e largado a banda depois deste trabalho...

Led Zeppelin (Led Zeppelin)

Não resisti a uma promoção das Lojas Americanas e comprei este, o II e o Houses of the Holy (que já tinha em vinil).

Ainda não me familiarizei com o álbum mas me pareceu um bom apanhado de blues (de inglês...) com destaque para I Can't Quit You Baby que já conhecia. Fico devendo uma resenha mais elaborada...

Flash Gordon (Queen)

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

terça-feira, 16 de outubro de 2007

QE2 (Mike Oldfield)

Já o tinha em vinil e o achava legal, mas ficou hibernando depois que me mudei e aposentei a pick-up. Com o advento da Internet voltei a escutá-lo em mp3 e acabei comprando o CD. Virou uma febre, acho que entre junho e agosto deste ano ouvi este álbum numa média de 3 vezes por semana. No começo essa média era diária, mas agora, que já decorei o álbum, fiquei um pouco mais tranqüilo
;-)

Neste álbum Mike Oldfield faz intenso uso de teclados, sintetizadores e baterias eletrônicas, mas não deixa de lado sua guitarra, e os instrumentos acústicos como o violão e bandolim continuam com destaque.

As faixas não são tão longas como as de seus 4 primeiros álbuns (todas durando um lado de LP) mas se desenvolvem bem sem carências ou exageros.

Mike recebeu algumas críticas negativas por ter incluído versões de 2 músicas de grupos pop no álbum: Arrival do ABBA e Wonderful Land de The Shadows. Críticas preconceituosas e injustas, diga-se de passagem. As faixas (como suas originais) são instrumentais, não destoam nem ficam devendo nada ao resto do álbum.

O disco é bem homogêneo e todo bom, mas vale a pena destacar algumas das faixas:

Taurus I (a 1ª): abre com o 1º tema num bandolim bem folk. A 2ª parte, bastante marcial, carregada por guitarras distorcidas e raivosas (o termo "iradas" caberia muito bem aqui...) e, depois de uma ponte bem contemplativa, termina com uma parte vibrante misturando teclados, bandolins e vozes.

Sheba (a 2ª): os arranjos para a voz suave de Maggie Reily e o bom-gosto no uso do Vocoder (equipamento que entre outras coisas é usado para modular instrumentos em dicção fazendo-os parecer que falam) são a base desta faixa que tem letra indefinida com sonoridade tribal.

QE2 (a 7ª): tem um certo clima do Bolero de Ravel: começa pianíssimo e vai crescendo em dinâmica e vibração com destaque para a seção de metais no meio (que inclui o brasileiro Raul D'Oliveira no trompete). Porém, diferente do tom marcial do Bolero, QE2 (de "Queen Elizabeth II" o transatlântico) é bastante festiva e leve.

De uma forma geral, o CD é muito bem arranjado, os temas são bastante "cantabiles" e o clima geral bastante "ensolarado". Depois de tanto tempo enfurnado na prateleira, acabou virando um de meus preferidos...

Hergest Ridge (Mike Oldfield)

Uakti II (Uakti)

Meu 1º contato com o Uakti, foi através do documentário "Uakti - Oficina Experimental" de Rafael Conde que passou na TV educativa no final da década de 80. Lembro que pedi minha prima para gravá-lo (em VHS...) porque não poderia assistí-lo no dia. A fita, o aparelho, o sinal da TVE ou uma combinação destes era tão ruim, que o resultado foi uma imagem toda distorcida, cheia de ruídos e que mal dava pra identificar o que estava no filme. Mas foi o suficiente para eu sair caçando os álbuns do grupo pelas lojas de discos da cidade. Depois disso vieram as apresentações do grupo, os workshops e, finalmente a participação de um dos integrantes, o flautista Artur Andrés, em 2 faixas de meu CD.

Mas deixem-me falar sobre o álbum em questão: Uakti II é o 2º álbum do grupo, mas o 1º que adquiri. Não sei se isso influenciou minha opinião, mas, até hoje, é de todos o meu preferido.

O álbum abre com Canto de Iarra - Dança das Espadas, com o lamento da Iarragunga*, irmã exótica do cello, arrastando uma sonoridade com cores de caatinga até o meio da faixa. Em seguida, o violão entra com as percussões e um baixo ostinato no piano num andante bastante assertivo.

Em seguida vem o arranjo do ex-integrante, Bento Menezes, para o tema Cio da Terra, de Milton Nascimento.

Arabesque tem um tema bastante nervoso em 7/8, que se alterna com outro em 4/4 bastante lírico.

Cartiano Marra é uma verdadeira faixa de demonstração da família Pan*, série de instrumentos feitos de tubos de PVC.

Passo da Lua, originalmente a 2ª faixa do lado B do disco, é a minha preferida do álbum e uma de minhas favoritas de todo o repertório do grupo. Os temas da flauta e a linha precisa de baixo tocada no piano, já seriam suficientes para me cativar. Mas, no meio da faixa entra uma seção super bem arranjada só com instrumentos de percussão que transforma a peça no que eu poderia classificar como "música perfeita".

Barroca tem um tema bem interessante em 11/8, que, numa estrutura bem simples, vai criando uma tensão ascendente que desemboca numa segunda parte bem movimentada para ir depois se aquietando até parar.

Assim como havia sido feito com a famíla Pan, em Marimba D'Angelim* o instrumento que dá nome a faixa é o solista. No final da mesma, há uma pequena seção que parece apontar para uma nova parte mas acaba bruscamente deixando o ouvinte em suspenso.

Infelizmente este álbum permanece fora de catálogo até hoje por questões contratuais com a antiga gravadora. Tenho esperanças de que isso um dia acabe e possamos tê-lo novamente acessível aos fãs mais novos do grupo.

*instrumentos criados pelo diretor musical do grupo, Marco Antônio Guimarães.

Close to the Edge (Yes)

Fragile (Yes)

Tribalistas (Tribalistas)

Approaching Silence (David Sylvian)

Medúlla (Björk)

Rock Goes to College (Bruford)

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

domingo, 7 de outubro de 2007

Mais (Marisa Monte)

Apostrophe (') (Frank Zappa)

Tudo e Todas as Coisas (Uakti)

Zoot Allures (Frank Zappa)

Marquis de Sade (Lalo Schifrin)

Uma correção: o nome verdadeiro deste álbum é "The dissection and reconstruction of music from the past as performed by the inmates of Lalo Schifrin´s demented ensemble as a tribute to the memory of the Marquis de Sade" , mas, obviamente, o título era muito grande para ser colocado no campo do blog...

Este álbum é incrível! Talvez um dos meus 10 álbuns preferidos de todos os tempos! O compositor e pianista argentino conseguiu capturar a essência da música barroca e renascentista e amalgamá-la com o jazz, o blues e a bossa-nova entre outros. Muito mais do que simplesmente tocar alguma peça de Bach com uma levada de jazz, ele compôs peças originais que conseguem integrar características aparentemente tão díspares quanto as das músicas de vários séculos de separação.

Old Laces e The Wig que abrem o álbum já dão todo o clima do que vem a seguir. A primeira começa com uma levada de jazz guiando uma flauta super comportada e sóbria que assim segue até a parte do improviso, onde se alterna com uma guitarra num clima bem bluesy. A segunda faixa, bem animada, uma peça típica para big bands americanas, é a mais famosa do disco. Foi, inclusive, usada por vários anos no comercial de uma certa loja de vidros e molduras. Música de Schifrin para um comercial "chinfrin"... Perdão pelo trocadilho infame, mas a faixa é muito boa, talvez a minha preferida.

Outra que vale a pena destacar é Renaissance, que começa com um violão clássico numa típica peça renascentista para alaúde e corta para uma levada super suingada para um quarteto de jazz (piano, baixo, guitarra, bateria). Sempre no início de cada repetição, um pequeno interlúdio de 4 compassos lembra o porquê do título da faixa.

Este disco é super inteligente e bem feito sob aspectos musicais. Mas para qualquer leigo, seu alto astral e suingue são marcantes. Pena que seja tão curto (tem pouco mais do que 30 min). Enfim, ele é tão bom que não consigo acreditar que levou tanto tempo para ser lançado em CD. E isso só aconteceu graças aos japoneses. Eu o tinha em vinil e fiquei anos procurando-o nesta mídia mais moderna.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Rubber Soul (Beatles)

A maturidade que havia descrito na resenha de Help!, aparece mais ainda neste álbum, embora não chegue no nível de Revolver. Gosto muito de quase todas as músicas mas minhas preferidas são Drive My Car, Nowhere Man, Michelle, Girl e In My Life.


01. Drive My Car
02. Norwegian Wood (This Bird Has Flown)
03. You Won't See Me
04. Nowhere Man
05. Think for Yourself
06. The Word
07. Michelle
08. What Goes On
09. Girl
10. I'm Looking Through You
11. In My Life
12. Wait
13. If I Needed Someone
14. Run for Your Life

Help, Beatles

A primeira versão que ouvi deste disco era uma cópia brasileira em vinil, grosso e pesado, original da data de lançamento do álbum, mas com o lado B diferente do das versões inglêsa e americana. Acho que esta, que ouvi primeiro em mp3 e agora resenho, deve ser uma remasterização, já que a original era mono e essa me pareceu ser estéreo. De qualquer modo, achei excelente e percebi pela primeira vez uma maturidade nas composições que não sinto nos primeiros quatro álbuns. As letras, a partir da faixa título, são um pouco menos bobinhas do que o costume e os arranjos vocais um pouco mais ousados. Aiás, acho que são eles que me fazem destacar Help! e You're Going to Lose That Girl entre as demais, mas gosto muito do folk à Bob Dylan de You've Got to Hide Your Love Away...


01. Help!
02. The Night Before
03. You've Got to Hide Your Love Away
04. I Need You
05. Another Girl
06. You're Going to Lose That Girl
07. Ticket to Ride
08. Act Naturally
09. It's Only Love
10. You Like Me Too Much
11. Tell Me What You See
12. I've Just Seen a Face
13. Yesterday
14. Dizzy Miss Lizzy